Goltz de Carvalho: a Luz e a Harmonia

Filantropo e personalidade influente nos movimentos associativos de Buarcos, ali realizou obra importante. Criou uma escola nocturna, organizou um Teatro, escreveu peças que subiram ao palco, fundou uma cooperativa, manteve uma creche, sonhou um porto oceânico, empenhou-se no nascimento de uma corporação de Bombeiros Voluntários, foi mesário de uma Misericórdia, pertenceu à Universidade Livre e colaborou em jornais.

Participou também na fundação do Museu Municipal, foi investigador de História local e autor de estudos versando a arqueologia, toponímia, etnografia, genealogia, história monumental, entre muitas outras áreas e temáticas. Distinguiu-se ainda como estudioso da biologia e zoologia. O seu nome é Augusto Goltz de Carvalho e foi republicano e maçon exemplar. Com uma vida e obra cuja história merece ser contada e ser conhecida por todos nós.

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Aurélio Paz dos Reis: Sou livre pensador, penso; sou republicano, falo

Fotógrafo premiado e de valor reconhecido dentro e fora de fronteiras, Aurélio Paz dos Reis, nome grande do Porto, esteve também associado à introdução do cinema em Portugal. Profundamente empenhado na vida do país e da cidade, esteve envolvido na Revolta de 31 de Janeiro de 1891 e chegou a Presidente da Câmara Municipal em 1923. Viveu 69 anos e iniciou-se na maçonaria, onde teve papel de relevo, aos 37 anos de idade.

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Revista Grémio Lusitano nº11_Março 2007

Editorial

Uma nova fase, os mesmos valores maçónicos de sempre

Após a eleição de António Reis para o exercício do alto cargo de Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, a revista Grémio Lusitano inicia uma nova fase, que se pretende revitalizada, da sua longa e profícua vida, com uma nova direcção, mas isso de modo algum implica que se possa esquecer o precioso contributo dado pelos seus anteriores responsáveis para o eficaz cumprimento dos seus desideratos.

Dando sequência prática às ideias expressas no programa de candidatura sufragado por larga maioria do povo maçónico, a revista continuará a afirmar a defesa dos valores maçónicos de sempre – a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade -, bem como os princípios da Verdade, do Amor Fraternal, da Solidariedade Social, da Liberdade de Consciência e da Tolerância.

São afinal a defesa e a difusão destes valores e princípios que permitirão ao Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa intervir de forma coerente na sociedade civil, de molde a promover as alterações positivas de que ela tanto carece em tempos conturbados como aqueles que vivemos e a transmitir a verdadeira imagem de uma instituição que é ainda alvo de acusações injustas quer por ignorância quer por má fé.

Por esses objectivos nos bateremos sem qualquer desfalecimento.

A Direcção

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Excerto da Mensagem do Grão-Mestre à Grande Dieta em 23 de Setembro de 2006

A Maçonaria Universal deve ser cada vez mais uma instituição de referência num mundo perturbado pela ameaça terrorista, com o recrudescimento de fundamentalismos vários. Um mundo no qual a globalização produzida pelas novas tecnologias da sociedade de conhecimento não tem impedido a permanência de graves desigualdades sociais que estão na origem da intensificação de fluxos migratórios dos países pobres para os países mais desenvolvidos. Um mundo no qual os nossos valores de sempre – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – e os seus garantes institucionais – Liberdade, Cidadania e Democracia – estão sob constante ameaça ou não são ainda reconhecidos em regiões inteiras. Observava com justiça o Pró Grão-Mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra, em discurso recente na Grande Loja de Nova Iorque, que a Maçonaria deve fornecer, e cito, uma “âncora moral e espiritual à Humanidade nestes tempos de grande incerteza. E também ensinar aos seus membros aquelas qualidades de liderança tão necessárias à sociedade actual”.

Também o Grande Oriente Lusitano se deve afirmar cada vez mais como uma instituição de referência no Portugal de hoje. Um Portugal decerto hoje menos descrente e pessimista do que há um ano atrás, mas que enfrenta ainda graves problemas de corrupção e de exclusão social e continua a padecer de visíveis deficiências no funcionamento do sistema educativo e do sistema judicial.
Por tudo isto é enorme a responsabilidade dos maçons nos tempos que correm.
Vem-me à memória um terceto da Divina Comédia de Dante que se deveria ajustar como uma luva a todos os maçons:

Os que pensaram bem até ao fundo
Encontraram a inata liberdade
E por isso a moral deram ao mundo.

Assim deverá ser, com efeito. É que a nós, maçons, compete-nos pensar bem, isto é, racional e sabiamente, até ao fundo, de forma a descobrirmos essa inata liberdade que nos permita servir de exemplo e de guias morais no mundo profano. Só assim a Humanidade poderá vir a interiorizar a ética universal dos Direitos Humanos, que se situa acima das querenças particularistas e dogmáticas.

António Reis

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As Escolas da Maçonaria

O Museu Maçónico Português apresenta, até Março próximo, a exposição “As Escolas da Maçonaria”. A educação sempre constituiu uma das preocupações das várias Lojas maçónicas ao longo dos anos. Desde a Academia das Ciências de Lisboa, com a sua elite intelectual e científica, até às escolas primárias do tipo Conde de Ferreira, a Maçonaria deixou marcas profundas, seja pelos métodos de avaliação, experimentação ou co-educação, no caso da Escola Oficina nº 1, seja pelo carácter inovador e social, caso da Marquês de Pombal em Lisboa ou da Vasco da Gama no Porto, ou meramente filantrópico, sendo disso exemplo O Vintém das Escolas. A exposição patente ilustra métodos, equipamentos e trabalhos que são o espelho de uma escola vanguardista e inovadora, que conjugava a teoria com a prática, que valorizava as crianças e que lhes dava um olhar abrangente do mundo ao mesmo tempo que lhes ensinava os valores da Liberdade, da Igualdade, da Fraternidade e da Tolerância.
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As Constituições dos Franco-Maçons

(…) Compostas por uma primeira parte pseudo histórica, que adequadamente descodificada revela de forma muito nítida o carácter não sectário que sempre caracterizou a Maçonaria (1) , e por uma segunda consagrada aos regulamentos gerais, as Constituições dos Franco-maçons (The Constitutions of Freemasons) não são, como alguns comentadores mais apressados quiseram fazer crer, um mero exercício de compilação dos chamados Antigos Deveres (2), mas uma obra original de James Anderson e dos catorze Mestres nomeados pelo Grão-Mestre (da Grande Loja de Londres) para analisarem o texto e proporem as alterações que entendessem ser mais convenientes.
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A Iniciação

Falar do que foi para nós, Aprendizes, a cerimónia de iniciação, não é tarefa fácil. As provas a que fomos submetidos têm, para cada um de nós, uma interpretação pessoal, que deve manifestar-se sob a forma de ensinamentos e que, sendo simbólica, é sempre passível das mais diversas interpretações.
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O Rito Escocês Antigo e Aceito

O Rito Escocês foi uma das particularidades da Maçonaria francesa, tendo nascido no seio das Lojas “escocesas” implantadas em França, por pessoas próximas dos Stuart ingleses. No início, apesar das divergências políticas, as Lojas seguiram a mesma tradição das suas congéneres ingleses. No entanto, por razões políticas, por interesses pessoais e também por razões espirituais cedo surgiram importantes inovações, sendo a de maior relevo o aparecimento dos altos graus, aos quais o escocismo está intimamente ligado. O desenvolvimento destes graus observou-se primeiramente em França e, depois, na Alemanha.
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O Rito Francês – Algumas Notas Pessoais (excerto)

Introdução

Esta Prancha é uma reflexão pessoal relativamente ao Rito no qual fui Iniciado, Passado e Exaltado e relativamente aquilo que eu apercebo como sendo um espírito próprio ao Rito Francês. Espírito que não é directamente transmitido pelos Rituais individualmente mas induzido por eles e pela sua prática.
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Maria da Fonte (excerto), de Camilo Castelo Branco

Eu desejo convencer o Sr. Padre Casimiro de que não está em uso nas funções maçónicas o idioma hebraico, nem as descargas em Jesus Cristo, nem o juramento de hostilidade à religião católica. Nas Lojas maçónicas admitem-se todas as religiões. A primeira vez que nas Lojas portuguesas se aventou a precisão de reagir contra os ultramontanos foi em 1862 quando as Irmãs da Caridade francesas foram expulsas de Portugal. O fanatismo do clero, amalgamado com o romantismo místico das salas aristocráticas, ia levando de vencida a indiferença religiosa dos homens preocupados na direcção positiva da sociedade, e de todo o ponto surdos ao rumor subterrâneo das manobras do obscurantismo.
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    Revista Grémio Lusitano #11