Muitos dos melhores em Portugal são maçons

O grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, Fernando Lima, afirmou na sexta-feira que ainda há um grande preconceito em Portugal em relação à maçonaria, mas lembrou que «muitos dos melhores no país foram ou são maçons».
«Há uma recusa em entender, dizer ou aceitar que muitos dos melhores em Portugal foram ou são maçons e que as maçãs podres são a excepção», referiu Fernando Lima.
Deu como exemplo o Serviço Nacional de Saúde e «as principais leis» do país, que foram criados por maçons, «mas estes, como são muito humildes, não andam com bandeiras a apregoar o que fizeram».
Reconheceu que a maçonaria ainda é olhada «como algo pateticamente obsoleto e promotor de conspiração ou interesses inconfessáveis», mas sublinhou que é «a mais antiga instituição democrática do mundo».
Garantiu ainda que «é proibido fazer política dentro da maçonaria» e que ele próprio não tem qualquer filiação partidária.
«A maçonaria não é um partido, um clube ou uma associação cultural, mas sim uma associação filantrópica e filosófica», afirmou.
Recentemente, surgiu em Portugal uma polémica envolvendo a maçonaria, quando foi noticiado que o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, integraria uma loja maçónica e poderia ter interferido num relatório parlamentar sobre serviços secretos que tiveram entre os seus dirigentes outros maçons.
«É recorrente, sempre que há perturbações sociais, utilizar a maçonaria como bode expiatório, para desviar atenções. Quando não há pão, é preciso dar algum circo», disse Fernando Lima.
Frisou que a maçonaria já foi clandestina, «face aos totalitarismos de toda a espécie», mas «não foi nem é secreta».
«Agora não podemos é ser obrigados a dizer que somos maçons, isso seria absolutamente inconstitucional e uma grande brecha na conquista democrática. Por acaso sabem os nomes de todos os membros do Lions ou dos Rotários?», questionou.
Fernando Lima falava em Vila Nova de Famalicão, durante o ciclo de conferências denominado ‘A Maçonaria em Portugal: do século XVIII ao século XXI’. in:lusa|sol

1 comentário 18 de February de 2012 09:00 GOL Topo

A memória é a consciência da alma. (Fernando Pessoa)

O dia 5 de Outubro, tal como o dia 1 de Dezembro, deveriam manter-se como feriados nacionais. Desde logo pelo que representam historicamente. Mas a razão principal pela qual deveriam manter-se como feriados nacionais resulta de ambos se terem constituído, na nossa memória coletiva, como verdadeiros símbolos da comunidade que somos, da identidade que temos e da pátria que amamos.
Ao distinguirmos estas datas históricas estamos, simultaneamente, a dar expressão concreta ao respeito pelo passado e pela memória, a renovar a fidelidade a valores comuns e a afirmar a vontade de preservação da nossa identidade enquanto povo e enquanto pátria. Numa palavra, o 5 de Outubro é bem mais do que um feriado: é o símbolo de ideais que pairam acima das ideologias.
O 5 de Outubro de 1910 representou um ponto de viragem na História de Portugal. Ele marcou o início de um processo de mudança radical em matéria de direitos humanos e de reforma das instituições do Estado no sentido de uma sociedade democrática, moderna e avançada.
Precursor da vaga republicana que varreu a Europa, o 5 de Outubro tornou possível o desmantelamento das estruturas do Portugal medieval que a monarquia constitucional não tinha removido inteiramente.
A prevalência do interesse público sobre os interesses privados no âmbito de uma ética social e pessoal ligada à honradez e à probidade, a cidadania participativa, a ética do serviço público, a soberania do povo, o regime democrático, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são ideais de uma profunda actualidade.
O fim do poder hereditário na chefia do Estado, as grandes reformas do ensino, o registo civil obrigatório, a lei da liberdade de imprensa são alguns exemplos, entre muitos, da importância histórica de uma das datas mais identificadoras de um povo, que, por isso, a tem comemorado com legítimo orgulho e patriotismo.
Está amplamente estudada e documentada por notáveis historiadores portugueses a ligação estreita entre o Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa (GOL) e a implantação da República em 1910. Desde logo, pela relação simbiótica entre o GOL e o Partido Republicano. Machado Santos, um dos líderes do 5 de Outubro, conhecedor dos bastidores do movimento, escreveu em “A Revolução Portugueza” que “a obra da Revolução Portuguesa também à Maçonaria se deve, única e exclusivamente”. Já em plena I República, três presidentes da República – Bernardino Machado, Sidónio Pais e António José de Almeida – pertenciam ao GOL. E algumas das medidas mais progressistas implementadas pelo regime republicano foram subscritas por ministros maçons. A formação dos homens livres e de bons costumes iniciada nas Lojas Maçónicas refletia-se com objetividade na construção de uma nova pátria.
Pergunto: quereremos nós, após oito séculos de História coletiva, uma pátria e um povo sem memória, sem consciência e sem alma?

Fernando Lima
Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa

Comentar 16 de February de 2012 02:07 GOL Topo

“Ninguém condena a Igreja por ter dois ou três padres pedófilos”

O grão-mestre do GOL aconselha a ministra da Justiça a “reponderar” a afirmação que fez sobre os maçons

Fernando Lima, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, tem mantido uma posição discreta durante a polémica que está a atingir duramente a maçonaria, mas aceitou dar uma entrevista ao i em que fala sobre o dia-a-dia da instituição, da loja Mozart e da possibilidade de se obrigar os maçons a assumir-se. Critica a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, por ter defendido que os maçons que ocupam cargos públicos devem ser obrigados a dizê-lo publicamente e advoga que, em Portugal, ainda há um “forte preconceito” em relação à instituição.

Tem havido uma grande polémica sobre se os maçons devem ou não assumir-se. Qual é a opinião do grão-mestre do Grande Oriente Lusitano?
Permita-me que faça uma pequena introdução e até manifeste alguma perplexidade relativamente a toda esta discussão que tem havido ao longo das últimas semanas. A maçonaria é uma ordem iniciática, no sentido de ser uma ordem filosófica, é humanista, tem uma linguagem simbólica, aquilo a que eu gosto de chamar uma espiritualidade laica. As pessoas aperfeiçoam-se moralmente como escola de valores e agem na sociedade individualmente com uma cidadania muito activa e com ideais de que o colectivo deve prevalecer sobre o excesso de individualismo. Tudo isto são ideais conhecidos há séculos e daí alguma perplexidade, e parece que há algum desconhecimento sobre a maçonaria. Diz-se que é uma sociedade secreta, mas não há nenhum secretismo. É realmente esta escola de valores e não há nada a esconder.

Isso não é uma razão para que os maçons se assumam?
Não vejo razão nenhuma para que os maçons sejam obrigados a assumir-se. Aliás, a pedra-de-toque da maçonaria, do ponto de vista filosófico, é a inteira liberdade de consciência. Eu posso dizer que pratico uma determinada religião, que tenho determinadas crenças, mas não sou obrigado a vir declarar. Isso é uma porta aberta para que as sociedades democráticas abram brechas. Estou de acordo que os maçons se assumam se assim o entenderem, mas sou frontalmente contra a obrigatoriedade da declaração de ser maçom. Isso é inconstitucional e vai contra todas as convenções europeias.

A ideia de que é inconstitucional não é consensual. A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, defendeu esta semana que os maçons que ocupam cargos públicos devem ser obrigados a declarar que pertencem à organização.
Compreendo que existam algumas posições divergentes, mas não as posso aceitar, porque não são jurídicas. Aliás, a ministra da Justiça – exactamente por ser a ministra da Justiça e é jurista, naturalmente – tem algumas responsabilidades particulares nesta matéria. Julgo que deveria reponderar um pouco o tipo de afirmação que fez, dado os preceitos jurídicos que enunciei: a Constituição, as convenções europeias e a declaração dos direitos do homem. Um jurista atento deveria interpretar e reflectir um pouco mais sobre essa matéria e, nomeadamente, a ministra da Justiça deveria reponderar essa afirmação.

Se aparecer um projecto para obrigar os maçons a declarar que pertencem à organização, o que é que o Grande Oriente Lusitano fará?
Depende do tipo de projecto, mas já expressámos a opinião de que um projecto nesse sentido não tem cabimento num estado democrático, e naturalmente que nos insurgiremos. Depende das coisas em concreto.

Ficou surpreendido com o facto de haver tantos políticos a defender essa hipótese?
Fiquei, mas há uma pressão dos acontecimentos que levaram a uma menor ponderação.

O que é que leva a que haja ainda maçons que não se queiram assumir quando vivemos em democracia? Têm ainda receio de serem discriminados?
Infelizmente, a maçonaria, em Portugal, ainda é vista de uma forma autoritarista. É preciso dizer-se que a maçonaria tem cerca de cinco milhões de membros em todo o mundo. Se formos para os países das grandes liberdades – as monarquias nórdicas, os Estados Unidos da América, entre outras –, é qualquer coisa que é clara e assumida. Mas as ditaduras nunca gostaram da maçonaria e o facto de termos tido uma ditadura em Portugal faz com que o inconsciente colectivo da nossa sociedade ainda não tenha ultrapassado esta visão da maçonaria como uma sociedade secreta – já não digo a abater –, mas agora com o argumento de que não faz sentido numa sociedade transparente. Ainda há um preconceito muito forte na sociedade portuguesa. E muita gente tem alguns incómodos, porque pensa que poderá vir a ser prejudicada.

E tem razão de ser esse receio de alguns maçons?
Esta análise é um pouco uma análise sociológica da realidade. Não há razão nenhuma para as pessoas não se assumirem. Nós somos é contra a obrigatoriedade. É uma honra ser maçon e as pessoas devem assumir-se. Mas há ainda um preconceito na sociedade portuguesa que as pessoas mais esclarecidas já deviam ter ultrapassado.

Um preconceito a que nível?
A todos os níveis. A nível político, económico, social e a nível até das próprias pessoas em geral.

A maioria dos maçons não se assume?
Eu julgo que ninguém anda nas ruas a dizer que pertence a esta ou àquela organização. Nós cultivamos valores e não temos de andar aí a apregoar.

Quantos maçons existem em Portugal?
Em Portugal há várias obediências e diz–se que há cerca de quatro mil maçons activos. Quando estamos a falar neste caso concreto da política, estamos a falar de minorias, não estamos a falar da generalidade dos maçons.

Como é que se entra para a maçonaria? É a convite?
Normalmente, é a convite. A maçonaria não é uma elite económica nem uma elite de interesses, mas é uma elite no sentido dos critérios de entrada. É para homens livres e de bons costumes. É uma malha, não diria apertada, mas uma malha criteriosa.

Quais são os critérios para entrar?
São homens livres, de bons costumes, sem passado criminal, que não tenham ideias fundamentalistas. A maçonaria é um espaço de tolerância.

Ao longo da história, os critérios de entrada para a maçonaria foram-se alterando ou permanecem intactos?
Os critérios são sempre os mesmos. São homens livres e de bons costumes. A maçonaria do século XIX não é a mesma do século XX ou do século XXI, mas há certos princípios básicos estruturantes que são os mesmos. Mas são esses homens livres e de bons costumes que, às vezes, as sociedades não toleram, porque as sociedades também querem ter controlo social. Aliás, a maçonaria também serve de bode expiatório em períodos de conturbações sociais. A história demonstra que, ao longo do tempo, quando há perturbações sociais a maçonaria serve de bode expiatório.

É o que está a acontecer?
Não sei o que está a acontecer agora, mas sei que a maçonaria é uma instituição respeitável. É preciso relembrar que o Tratado de Lisboa reconhece organizações como a maçonaria. Eu fui recebido pelo presidente da Comissão Europeia, pelo presidente do Conselho Europeu e pelo presidente do Parlamento Europeu há cerca de dois meses. A maior organização maçónica do mundo, que agrega, se a memória não me falha, 40 países, faz parte como organização não governamental do Conselho Económico e Social da ONU (Organização das Nações Unidas). É uma instituição reconhecida em todo o mundo.

Isso não garante que não haja entre os maçons comportamentos menos transparentes e condenáveis…
Como em todo o lado e em todas as instituições, mas são sempre uma minoria. Quando isso acontece, ou se auto-excluem ou são excluídos, porque nós também temos na maçonaria processos internos de inquérito, de apreciação disciplinar, dentro dos princípios democráticos, para o caso de haver comportamentos desse tipo.

Quantos maçons já foram expulsos devido a esses comportamentos?
Eu só posso falar pelo Grande Oriente Lusitano mas, desde que sou maçom, muito poucos.

Mas não sabe quantos?
É uma minoria. A maior parte dos maçons que saem é ou por algum desinteresse – nem sempre as pessoas acertam neste tipo de espiritualidade – ou porque deixam de pagar a quota e há um regulamento interno que diz que, quando não pagam, também têm de se ir embora. Nesses casos, também já não têm interesse. Mas em termos disciplinares, conheço muito poucos casos.

Como é que tem visto a polémica à volta da loja Mozart – da maçonaria regular – em que há a suspeita de ligações pouco transparentes entre a maçonaria, as secretas e o poder económico e político?
Eu tenho de ver sempre esses casos como democrata que sou e até como jurista que sou. Para mim as pessoas são sempre inocentes até prova em contrário. Mas se um dia se vier a provar que esse tipo de comportamentos existiu, temos de distinguir a maçonaria do comportamento de algumas pessoas.

As suspeitas é que esta loja foi utilizada por alguns maçons para estabelecer ligações entre o poder político e económico e as secretas. Mesmo o relatório do PSD fala num conluio de poder que envolve a maçonaria. Não é grave?
Não utilizaram a maçonaria, nem acredito que dentro de uma loja maçónica as pessoas se sentassem e estivessem a combinar coisas dessas. Não conheço este caso concreto, nem conheço a loja Mozart, nem é do GOL, mas custa-me a acreditar que dentro de um espaço maçónico as pessoas estejam a conspirar…

Houve já o caso da Universidade Moderna. Todos estes casos acabam por dar uma má imagem da maçonaria, ou não?
As pessoas não foram condenadas por serem maçons. Foram condenadas por terem comportamentos ilícitos. Por acaso eram maçons, como podiam ser católicos, judeus ou muçulmanos. Não foi por serem maçons que praticaram esses actos ilícitos e isso é qualquer coisa que nos deixa perplexos, porque condena-se uma instituição na sua totalidade. Ninguém condena a instituição católica por terem encontrado dois ou três padres pedófilos lá dentro. É preciso dizer as coisas como elas são. Não é por ter lá dois ou três padres pedófilos que nós condenamos a Igreja Católica. Como não condenamos o islão pelo facto de ter islamitas que metem bombas, que é um acto altamente condenável, mas se estudarmos bem o Corão não vamos condenar mais de mil milhões de muçulmanos pelo facto de haver uns tantos terroristas. E, portanto, não vamos condenar a maçonaria pelo facto de haver comportamentos ilícitos.

Mas voltando à questão da loja Mozart. Foi o próprio José Manuel Anes, que foi grão-mestre, que acusou o ex-director do SIED Jorge Silva Carvalho de ter utilizado a maçonaria para um projecto de conquista de poder…
Ele lá sabe. Ele é que estava lá dentro.

O Grande Oriente Lusitano é mais rigoroso?

Não quero fazer juízos de valor. O que lhe digo é que aqui dentro, essas coisas, a ser verdade o que ele diz, não acontecem.

Há mecanismos para prevenir determinados comportamentos?
Há. Temos alguma disciplina e alguma atenção àquilo que se passa com o objectivo de saber se os nossos princípios são cumpridos ou não. E, nessa medida, temos inspecções às lojas. Os inspectores que são nomeados para as lojas vão verificar se as lojas funcionam de acordo com aqueles princípios. Há uma atenção àquilo que se passa sem interferência na autonomia das lojas.

Assistem às reuniões?
Fazem uma visita regular e verificam se o que se está ali a fazer é ritual e discussão.

O que é que discutem?
O que se discute em loja são assuntos da sociedade, são assuntos morais, filosóficos. Discutem-se, por exemplo, problemas sobre a preservação ou não de células estaminais, sobre as neurociências, sobre questões sociais. Não se discute política partidária, mas discute-se a ética, a moral, a corrupção…

Um tema como o Orçamento do Estado ou as medidas de austeridade não tem lugar numa dessas reuniões?
Não. A maçonaria não actua colectivamente. É uma escola de valores. Aqui não se discutem nem interesses, nem negócios. Aliás, um dos trabalhos que estamos a fazer é recolher os trabalhos que cada maçom faz nestas suas análises e publicá-los, para que as pessoas vejam o que se faz aqui dentro.

Encontra alguma razão para haver esta desconfiança à volta da maçonaria e não se falar, por exemplo, do secretismo da Opus Dei?
Não sei. Se calhar é mais fácil. É um fantasma mais fácil de explorar, porque se calhar é mais aberta e há mais maçons assumidos. Não sei.

Há uns meses surgiram notícias de que os maçons se tentaram unir para eleger Fernando Nobre como presidente da Assembleia da República. Seria legítimo que os maçons se unissem para ajudarem à eleição de um presidente do parlamento ou para um outro cargo político?
Como maçons, não. Os maçons não telefonam uns aos outros a dizer: “Faz assim.” Se fazem isso é ilegítimo, mas isso não é verdade. Aliás, o Dr. Fernando Nobre veio assumir que era maçom…

Assumiu, mas disse que já não frequentava a maçonaria. Luís Montenegro também assumiu, mas também fez questão de frisar que não tem nenhuma actividade. Não é uma forma envergonhada de assumir?
Ele lá saberá. Eu estou com o António Arnaut, que já disse várias vezes que é uma honra ser maçom. Estou é contra a obrigatoriedade.

Uma ideia que existe é que os maçons se ajudam uns aos outros. Em que casos é que isso é válido?

Naturalmente que a vida é feita do olhar do outro e sem os outros nós não vivemos. As pessoas criam relações de amizade e de afectividade, e é natural que os maçons vivam essa relação de afectividade. E, portanto, quando eu tenho um irmão doente, quando eu tenho um irmão que se divorciou e precisa de um abraço, quando eu tenho um irmão que me telefona e tem alguma aflição, naturalmente que temos esta afectividade e esta maneira de estar na vida, como certamente acontece em outras instituições. É preciso dizer que este sentido de afectividade não é um sentido perverso. O que é perverso é dizer que isto se transforma em tráfico de influência na sociedade. Não é verdade. Poderá haver um ou outro – não vamos dizer que aqui é tudo santo – mas, se o fizerem, estão mal.

Se um maçom não conseguir, por exemplo, arranjar emprego, é legítimo que outro maçom o ajude a encontrar um lugar?

Pode um amigo perguntar se sabe de alguma coisa, mas não é tráfico de influências. Se alguém estiver aflito e perguntar se eu conheço algum lugar, são questões de entreajuda que não têm nada de perverso. É distinto da ideia feita que é tráfico de influências…

Os maçons juram fraternidade. É natural que haja alguma desconfiança, ou não?

A primeira coisa que juram é respeitar a Constituição e as leis da República.

Já se colocou também a questão se um juiz que é maçom deve julgar outro maçom, e há quem ache que os magistrados deviam declarar essa filiação. Não acha que é um caso delicado?
Respeito a opinião, mas pode acontecer com os maçons como com qualquer outra pessoa. Ontem ouvi na televisão dizer o seguinte: um juiz do Sporting, se for julgar alguém da claque do Porto, é isento? Tem de o ser. A questão não está em ser maçom, está em ser sempre um homem isento, independentemente do que seja na vida privada.

A maçonaria tem pessoas de todas as ideologias políticas?
Se tirar os fundamentalismos, quer à esquerda quer à direita, há alguém que não defenda a liberdade? Há alguém que não defenda uma sociedade mais justa? E devo dizer–lhe que a maçonaria incorpora muitos valores cristãos. A maçonaria é uma espiritualidade própria do Ocidente.

É correcta a ideia de que a maçonaria tem pessoas de todos os partidos com excepção do PCP?
Que eu saiba, nós aqui não perguntamos a cor partidária de ninguém, nem isso é critério de entrada. Sabemos que é transversal. Tem gente de todos os partidos, todas as crenças…

Menos do PCP.
Isso não sei. Suponho que há alguns comunistas que farão parte da maçonaria, mas isso é indiferente. Só não cabem dentro da maçonaria os extremismos, porque é uma escola de tolerância.

Falo no PCP porque o partido, pelo que se sabe, não deixa entrar os seus militantes para a maçonaria.
Sim, os maçons foram sempre perseguidos em todos os regimes comunistas. Mas nós não fazemos juízos sobre a cor partidária. Eu não sei se há membros do Partido Comunista, nem sei se há militantes, agora, um comunista pode haver. Eu nunca vi uma lista dos membros do PCP, nem dos filiados do PS ou do CDS. Porque é que os partidos não metem cá fora as listas integrais dos seus membros, dos seus filiados? Eu não sei se há membros do PCP, mas que tenho debates com gente que se diz comunista tenho, mas não sei se são membros. Quem diz comunistas diz do Bloco de Esquerda ou do CDS…

Embora o Grande Oriente Lusitano esteja associado ao PS?
Não é verdade. A sensibilidade que eu tenho é que o Grande Oriente Lusitano é transversal partidariamente. Já houve, de facto, essa ideia de que era maioritariamente socialista, mas eu julgo que essa ideia hoje é errada. A sensibilidade que eu tenho é que é transversal.

Como é que tem visto aparecerem na imprensa os nomes de alguns maçons?
É uma espécie de caça ao maçom sem sentido nenhum. Fico perplexo e acho que há desinformação, e remeto para as avisadas palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa [D. José Policarpo] nesta matéria. Ele diz que os maçons não devem ser obrigados a assumir-se e manifesta também alguma perplexidade com esta discussão. Eu diria que foram palavras avisadas do senhor cardeal.

Como é o dia-a-dia do grão-mestre da maçonaria?
Como o de qualquer outra pessoa. Tenho uma profissão, venho aqui todos os dias, convivo com os meus irmãos, faço visitas às lojas, participo em debates.

O palácio recebe muitas pessoas de fora?
Sim, o nosso museu, por exemplo, é visitado por escolas, por reformados. Qualquer pessoa pode visitar sem problema nenhum.

O grão-mestre tem algum salário?

Não. Ninguém tem salários na maçonaria. Isto é uma dedicação a uma causa. A não ser os funcionários da secretaria e os porteiros.

Mas pagam quotas?
Sim, como em qualquer associação. Essas quotas é que suportam as pequenas despesas que temos.

E já foram expulsos alguns maçons por não as pagarem.
É evidente. Faz-se todo o possível para que as regularizem, mas se não o fizerem não temos outra solução.

Entrevista publicada em 14 de janeiro de 2012 no jornal i, conduzida por Luís Claro com fotografia de Rodrigo Cabrita

Comentar 14 de January de 2012 20:30 GOL Topo

Past Grão-Mestres na RTP1

3 comentários 13 de January de 2012 15:35 GOL Topo

Comunicação

GRANDE ORIENTE LUSITANO – MAÇONARIA PORTUGUESA
No difícil momento económico e social que Portugal vive e cujos efeitos na vida quotidiana dos cidadãos são infelizmente cada vez mais sentidos, é urgente saber orientar as energias para o que efectivamente é importante: a mobilização patriótica para as responsabilidades colectivas, num ambiente de paz, de esperança, de solidariedade e de coesão social.
O Grande Oriente Lusitano, fundado em 1802, além de ser a mais permanente instituição democrática portuguesa e a segunda mais antiga Obediência maçónica mundial em exercício continuado, não aceita ser envolvido em assuntos decorrentes de interesses empresariais conjunturais em que são projectadas posições anti-maçónicas que misturam velhas perspectivas anti-progressivas com pretensas abordagens pós-modernas enxertadas de algum aventureirismo intelectual pseudo-progressista.
Portugal conheceu em 1935 uma lei dita sobre “associações secretas” e é com mágoa que somos obrigados a denunciar, no Portugal de hoje, a retoma do projecto do então deputado do Estado Novo, José Cabral.
Sobre esse projecto, Fernando Pessoa escreveu no Diário de Lisboa de 4 de Fevereiro desse ano: “Provei neste artigo que o projecto de lei do sr. José Cabral, além do produto da mais completa ignorância do assunto, seria, se fosse aprovado: primeiro, inútil e improfícuo; segundo, injusto e cruel; terceiro, um malefício para o País na sua vida internacional.”. Ler mais »

7 comentários 10 de January de 2012 14:50 GOL Topo

“Não é maçom quem quer” diz Arnaut

O ex-grão mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, António Arnaut, falou à RTP Informação e defendeu que os maçons não devem ter medo de tornar públicas as suas relações com a organização. “Ser maçom é uma honra, não é maçom quem quer”, disse António Arnaut. ver entrevista rtpinformação

3 comentários 9 de January de 2012 11:39 GOL Topo

Um Idealista Impenitente


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Editado pela Colecção Parlamento, da Assembleia da República, Magalhães Lima: um Idealista Impenitente, da autoria de António Ventura, vai ser lançado na Biblioteca da AR, no próximo dia 11 de janeiro pelas 18:30h.
É necessária a confirmação da presença pelo telef.: 213 919 353

Comentar 4 de January de 2012 08:30 GOL Topo

A Maçonaria na sociedade – do século XVIII ao século XXI

A tradição constitui-se como uma memória do passado, fundada na transmissão, onde estão presentes sinais, símbolos ou outras formas de registo, que desembocam no enriquecimento intelectual desde que também se constitua como um acto refletido e na maior parte das vezes simbólico. Constituindo uma forma de interiorizar valores, ela é também mais do que um depósito de saberes que passa de mão em mão. Entendeu-se desde sempre em maçonaria de que o Conhecimento não se dá nem se recebe. Ler mais »

1 comentário 12 de December de 2011 14:00 GOL Topo

Homenagem

Esta iniciativa pretende homenagear todas as mulheres e homens que, por motivos políticos, se viram impedidos de aceder à docência universitária, foram afastados dos seus centros de investigação, impossibilitados de progredir nas carreiras académicas ou compulsivamente exonerados das suas funções como investigadores ou professores das Universidades portuguesas durante o Estado Novo.
A depuração política do corpo docente universitário ou de quem a ele pretendia aceder, quase sempre fundamentada em informações da polícia política, atingiu um largo espectro de investigadores ou docentes que, em muitos casos, representavam, nos respectivos sectores – na matemática, na medicina, na economia, na física, na agronomia, nas ciências humanas – o escol do pensamento científico português. Ler mais »

2 comentários 25 de November de 2011 15:41 GOL Topo

Os Constituintes de 1911 e a Maçonaria

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A Assembleia da República e o Círculo de Leitores | Temas e Debates, apresentam no próximo dia 8 de Novembro, terça-feira, às 18:30H na Biblioteca da AR, o livro Os Constituintes de 1911 e a Maçonaria, da autoria do Prof. Dr. António Ventura.

A obra terá a apresentação da Prof. Dra. Maria Fernanda Rollo.

Comentar 3 de November de 2011 01:10 GOL Topo

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