A Maçonaria e os 150 anos de “Amor da Pátria”
António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, esteve presente nas comemorações do 150º Aniversário da Sociedade “Amor da Pátria”, no Faial, que decorreram durante o mês de Dezembro, tendo proferido a oração de fundo na sessão solene.
Na presença de Carlos César, Presidente do Governo Regional dos Açores, de numerosos personalidades locais e de muitas figuras da maçonaria açoriana, António Reis começou por evocar Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República portuguesa, natural da Horta, de quem não há provas documentais de ter sido maçon, apesar da “sua enorme proximidade afectiva com proeminentes maçons”.
De seguida, o Grão-Mestre do GOL abordou com pormenor “o que é e o que não é a Maçonaria”, tendo em conta a génese maçónica da casa onde se encontrava – a Sociedade “Amor da Pátria”, onde a Loja Maçónica com o mesmo nome funcionava em paralelo com o inicial clube recreativo. Os seus membros praticavam o rito maçónico do Grande Oriente Lusitano, sendo o seu lema “O Amor à Pátria é que nos Guia”.
Foram também oradores convidados nesta sessão solene os investigadores António Lopes (Director do Museu Maçónico) e Carlos Lobão, co-autores, conjuntamente com Maria Calado, do livro “Amor da Pátria – 150 anos”.
Numa curta intervenção, António Lopes sublinhou a importância da Sociedade “Amor da Pátria” na história da Maçonaria Portuguesa e na História de Portugal. “Pelo Faial passaram momentos importantes da história dos séculos XIX e XX” – disse António Lopes, lembrando que a Loja “Amor da Pátria” foi uma das lojas mais importantes da Maçonaria Portuguesa.
Lopes revelou ainda que no processo de elevação da vila da Horta a cidade estiveram “muitos maçons”, dos quais não se podem desligar os iniciados na Horta. O Director do Museu Maçónico destacou também que a Loja “Amor da Pátria”, cuja fama se propagou em resultado do seu “grande rigor ritual”, era a mais importante dos Açores.
O historiador faialense Carlos Lobão, por sua vez, fez um resumo, contextualizado, da história da Sociedade “Amor da Pátria”.
Entretanto o presidente do Governo dos Açores manifestou o seu apreço pela Sociedade Amor da Pátria e deixou, no Livro de Honra, a sua “homenagem a todos os seus dinamizadores e à sua obra”.
Para assinalar os 150 anos da Sociedade Amor da Pátria os CTT criaram especialmente um selo e um carimbo.
Um pouco de história
A Sociedade Amor da Pátria é uma sociedade repleta de história, fundada na cidade da Horta, Açores, em 28 de Novembro de 1859, onde a Loja Maçónica “Amor da Pátria” funcionava em paralelo com o inicial clube recreativo – lê-se na Wikipédia.
Rapidamente, esta sociedade alargou os seus interesses para obras de carácter cultural, económico e social, como foi o caso da inauguração de uma escola primária nocturna na Horta, e depois, uma outra na freguesia dos Flamengos e, em 1862, a constituição da “Caixa Económica Faialense”, para subsidiar as obras de beneficência da Sociedade.
A sede da Sociedade funcionou num Solar do Morgado Terra, localizado a Norte do actual edifício, e onde, em Agosto de 1930, deflagrou um violento incêndio que destruiu o segundo andar, ocupado pela Sociedade e pela Loja Maçónica, salvando-se apenas o andar onde existia a instituição de crédito e duas salas de jogo. Após o incêndio, foi deliberado que se construísse um edifício de raiz, no mesmo local onde o prédio se apresentava em ruínas. Tomou-se a decisão de contratar o melhor arquitecto do país, foi escolhido o arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (também ele um maçon), que visitou a cidade da Horta em 1931, tendo assistido ao lançamento da primeira pedra em Agosto desse mesmo ano. O edifício demorou três anos a ser construído, e foi inaugurado a 30 de Junho de 1934.
Neste edifício, teve lugar o acto inaugural da I Legislatura do Governo Regional, a 4 de Setembro de 1976, que contou com a presença do então Presidente da República, General Ramalho Eanes, e do Primeiro-ministro, Dr. Mário Soares. Aqui funcionou durante largos anos a Assembleia Legislativa Regional dos Açores.
Esta sociedade foi agraciada em 2001 pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Ordem do Mérito – Membro Honorário, tendo sido também declarada, no mesmo ano, Instituição de Utilidade Pública pelo presidente do Governo Regional.
Em 2006, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, atribuiu-lhe a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico e, já durante o corrente ano, a Câmara Municipal da Horta concedeu-lhe a Medalha de Honra do município.
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